Três candidatos. Investigações da Polícia Federal, operações do Ministério Público, apontamentos do Tribunal de Contas e bilhões em contratos públicos. O que eles preferem que fique no escuro, aqui está documentado. Com fontes.
Senador. Ex-governador. Quase quarenta anos de política.
Vereador, deputado, vice-prefeito, secretário, vice-governador, governador, senador. Toda a vida dentro da política.
À Justiça Eleitoral, Omar declarou cerca de R$ 1 milhão em bens. Sua esposa, Nejmi Aziz, declarou mais de R$ 30 milhões em 2018, valor que chamou atenção por superar, sozinho, a soma do patrimônio declarado pelos demais candidatos ao Governo do Amazonas naquele pleito.
A diferença entre os patrimônios e a evolução financeira da família passaram a integrar reportagens e investigações envolvendo o grupo político ligado ao ex-governador.
Em julho de 2012, o governador Omar Aziz lançou em Iranduba o projeto mais ambicioso da história da educação do Amazonas: a Cidade Universitária da UEA. Um campus de 13 milhões de metros quadrados, com moradia para 2 mil estudantes do interior, áreas comerciais, de lazer e turismo. Orçamento: R$ 300 milhões. Hoje, no lugar da promessa, restam esqueletos de concreto tomados pelo mato.
Moradia para 2 mil estudantes do interior, reitoria, prédios de saúde, ciências sociais e tecnologia, condomínios, comércio e lazer. Inauguração da primeira fase prometida para 2014. Jovens de Iranduba cresceram esperando estudar ali.
Nenhum prédio entregue, nenhuma aula dada, nenhum estudante morando ali. Obras paradas desde 2017 por decisão judicial. O destino das ruínas segue indefinido, agora em discussão em audiência pública convocada pela UEA.
As duas parcelas têm origens distintas: o desvio na saúde é objeto de investigação da PF (Operação Vértex, indiciamento em 2019, sem condenação definitiva); o gasto na Cidade Universitária é desperdício apontado pelo TCE-AM (Acórdão 2621/2023). A estrada de acesso de 7 km, orçada em R$ 44,5 milhões segundo dados da Seinfra-AM, foi concluída em 2015 e é a única parte entregue do projeto. Fontes: TCE-AM, MPC-AM, MPF e imprensa local — A Crítica · Radar Amazônico · Amazonas1 · Parintins 24hs · FAPEAM (lançamento, 2012) · Edital da audiência pública (UEA).
Investigado em 2019 pela Polícia Federal por corrupção passiva e organização criminosa, Omar Aziz viu seu nome ligado ao desvio de R$ 100 milhões que deveriam salvar vidas nos hospitais do Amazonas. A posterior anulação por disputa de competência judicial não apaga as investigações narradas nos relatórios policiais.
As investigações também atingiram familiares próximos de Omar Aziz. Na Operação Vértex foram presos temporariamente:
Segundo o MPF, integrantes da família teriam participado da movimentação financeira investigada.
Nejmi Aziz foi indiciada pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Murad e Amin também foram indiciados pelos mesmos crimes.
Manssur respondeu por investigação relacionada à lavagem de dinheiro.
Não há condenação criminal definitiva contra Omar Aziz. Indiciamento não equivale a condenação. Vale a presunção de inocência.
Ele governa o Amazonas sem nunca ter recebido um voto para o cargo. Quem o colocou no Palácio foram os deputados da Assembleia que ele mesmo presidia.
Roberto Cidade assumiu o Governo do Amazonas em 2026 por meio de uma eleição indireta feita pela Assembleia Legislativa, casa que ele próprio presidia.
Com a renúncia do governador anterior, Cidade foi elevado ao cargo máximo do Executivo estadual pelos próprios deputados.
A empresa Navegação Cidade, ligada à sua família, manteve contratos vultosos com o Estado. Logo após assumir o governo interinamente em abril de 2026, Cidade determinou a suspensão dos contratos de empresas vinculadas à sua família.
O ato de suspensão oficializou e comprovou publicamente o vínculo familiar e comercial mantido até aquele momento com o Estado.
Em março de 2024, o Comitê Amazonas de Combate à Corrupção denunciou formalmente a gestão de Cidade na Assembleia pelo uso de recursos da Casa para propaganda de promoção pessoal.
A representação encaminhada ao Ministério Público foi oficializada e noticiada, evidenciando a suspeita de improbidade administrativa.
Após os escândalos revelados pela CPI da Saúde — a crise do oxigênio e a Operação Sangria, em 2020 e 2021 —, a Assembleia arquivou o processo de impeachment do então governador Wilson Lima, aliado político de Cidade, blindando o Executivo de responsabilização pela Casa.
Os registros oficiais de votação da Assembleia, de agosto de 2020, documentam o arquivamento por 12 votos a 6. Os registros taquigráficos e as atas da Casa documentam os embates sobre comissões investigativas no período.
Não há condenação criminal contra Roberto Cidade nos fatos acima. A sucessão e a eleição indireta seguiram o rito legal previsto na Constituição do Estado. A defesa sustenta que ele não integra o quadro societário das empresas da família e que os contratos seguiram licitações. A denúncia por propaganda com recursos da Assembleia é uma representação em apuração, sem decisão de mérito. Vale a presunção de inocência.
Ex-prefeito de Manaus. Candidato ao Governo do Amazonas.
No discurso, “o garoto pobre do Morro da Liberdade”. Nos registros oficiais, um patrimônio 49% maior em quatro anos de mandato.
Em novembro de 2025, o Tribunal de Justiça autorizou sete investigações criminais contra o então prefeito: corrupção passiva, peculato, fraude em licitação e favorecimento de empresas com contratos públicos. O pedido do Ministério Público levou treze meses e passou por cinco relatores até ser aceito.
Receita, PF e MPF apontaram esquema na coleta de lixo e limpeza pública de Manaus. Segundo a PF: R$ 245 milhões em notas fiscais suspeitas e R$ 100 milhões em sonegação estimada.
O UOL revelou que a PF investiga propina para favorecer empresa em licitações — entregue à irmã do prefeito, então secretária de Educação.
Dois carnavais no Caribe ao lado de empresários com contratos ativos com a própria prefeitura. Em 2026, a Operação Erga Omnes prendeu a ex-chefe de gabinete e o dono da agência de viagens da família — que afirmou, em depoimento, que as passagens eram pagas em dinheiro vivo.
A comissão da Assembleia recomendou rejeitar as contas dele como governador. O parecer técnico cita desvio de verba da educação e falta de licitações. O órgão pediu o envio do caso ao TRE pelo risco da Lei da Ficha Limpa. A decisão definitiva está travada no plenário há oito meses.
O MP Eleitoral abriu investigação por corrupção eleitoral. A origem: a PF prendeu em flagrante dois pastores — um afirmou ter recebido R$ 38 mil de um aliado da campanha para distribuir entre líderes religiosos. Foram apreendidos R$ 21 mil em espécie e uma lista de presença. O nome de Almeida aparece seis vezes no auto de prisão; a PF pediu que ele seja ouvido.
O ex-prefeito de Manaus passou a ser investigado pelo Ministério Público Eleitoral por suspeita de corrupção eleitoral relativa ao pleito deste ano. Instaurada pela Portaria PRE-AM nº 3, de 16 de julho de 2026, com ciência publicada no Diário da Justiça Eletrônico do TRE-AM em 27 de julho.
Administrou a empresa responsável por mais de R$ 300 milhões em contratos de limpeza urbana com a Prefeitura. Depois abriu uma microempresa que, em seis meses, emitiu R$ 124 mil para uma construtora — contratada pela Prefeitura por R$ 32,5 milhões no mesmo mês da abertura.
Segundo o Estadão, teria recebido cerca de R$ 120 mil de empresa com contrato na Prefeitura. A empresa dela funciona no mesmo endereço da empresa da mãe.
Deputado estadual: subsídio bruto de R$ 46,4 mil por mês, mais R$ 123,6 mil mensais de verba de gabinete para a estrutura do mandato, e emendas de cerca de R$ 24 milhões por ano.
O caso das “mesadas” teve repercussão nacional — O Globo, Estadão, Veja — e levou o MP-AM a abrir apuração sigilosa. Os familiares citados são particulares, não agentes públicos. Repercussão do caso · Apuração do MP-AM.
O relator do TCE-AM votou pela desaprovação das contas de 2024 — julgamento suspenso, empatado. O Tribunal suspendeu um pregão de R$ 120 milhões e auditou o Fundeb: dinheiro da educação usado para cobrir o fundo de saúde dos servidores. E quando a Câmara instalou a CPI dos Contratos, uma liminar — pedida por vereador do partido do próprio prefeito — travou tudo. As CPIs nunca andaram.
As investigações estão em andamento; não há condenação criminal definitiva. Almeida nega irregularidades: diz que viajou com recursos próprios, que o TCE-AM aprovou as contas de 2017 e chama as denúncias de “matérias requentadas”. Vale a presunção de inocência.
Este arquivo reúne informações de registros públicos, procedimentos de órgãos de controle e reportagens jornalísticas, com fontes indicadas em cada seção. Nenhuma informação aqui constitui afirmação de culpa: investigações e indiciamentos são fatos públicos documentados, e a todos os citados aplica-se a presunção de inocência até decisão judicial definitiva.